Na Bienal do Livro de São Paulo, a escritora baiana Telma Brites, que há 30 anos vive na Alemanha, apresenta seu mais recente romance, Entre Espelhos e Memórias. A obra, publicada pela Editora Coerência, acompanha Telúria, uma mulher de meia-idade que desperta em um hospital de Berlim sem lembranças de quem é. Em sua jornada de reconstrução, um espelho antigo revela cenas misteriosas envolvendo Grace, entrelaçando realidade, memória, sonho e consciência.
“Entre Espelhos e Memórias” vai além de um romance sobre perda de memória. Ele propõe uma reflexão profunda sobre o que permanece quando as referências que usamos para definir nossa identidade desaparecem. Entre esses temas, o etarismo se destaca, questionando a pressão social que mantém as mulheres associadas à juventude. “A sociedade valoriza excessivamente a juventude, especialmente quando se trata das mulheres. Muitas vezes, o primeiro olhar recai sobre a aparência, enquanto a experiência, a maturidade, os sonhos e a vontade de viver ficam em segundo plano“, afirma Telma.
Para a autora, Telúria não representa todas as mulheres, mas pode despertar identificação em muitas leitoras que enfrentam mudanças, perdas, recomeços e a necessidade de se reinventar. “O espelho revela a passagem do tempo, mas não é capaz de refletir a idade da alma. Envelhecer não significa deixar de viver. Pode ser justamente o momento em que nos aproximamos de quem realmente somos“, destaca.
A abordagem do etarismo na narrativa é sutil, integrando o tema à trajetória da protagonista sem transformar o romance em um discurso de tese. A autora enfatiza a busca pela identidade e a descoberta de si mesma, permitindo que o leitor construa suas próprias interpretações: “O maior desafio foi preservar a ambiguidade. Eu não queria impor uma resposta ao leitor. Era importante que cada pessoa pudesse interpretar os acontecimentos à sua maneira, sem que a narrativa perdesse credibilidade emocional“, explica.
Gaia – A Última Descendente: celebração dos 10 anos da trilogia Gaia
Além do lançamento do novo romance, Telma Brites também celebra uma década de sua trilogia Gaia. Em 2026, a autora apresenta Gaia – A Última Descendente, uma edição especial em capa dura que reúne os três volumes da saga – “Gaia – A Roda da Vida”, “Gaia – O Templo Esquecido” e “Gaia – A Cidade da Luz” – em um único volume de 536 páginas.

Publicado no Brasil, Alemanha e Angola, a trilogia combina fantasia, aventura e mitologia grega em uma história protagonizada por uma jovem ligada a uma antiga profecia envolvendo os descendentes de Poseidon. Para Telma, reunir os três volumes dez anos depois representa o retorno da história à sua concepção original, celebrando a continuidade e o amadurecimento da obra.
Encontro com leitores na Bienal
Durante a Bienal, de 4 a 13 de setembro de 2026, Telma Brites estará presente em duas sessões oficiais de autógrafos:
10 de setembro, às 15h
A escritora também participará de outras atividades no evento, oferecendo brindes inspirados nos livros, como agendinhas de capa dura, lápis de cor dourada, canetas, marcadores de página e pequenos saquinhos de balas de goma Haribo, típicos da Alemanha.
“Mais do que uma sessão de autógrafos, espero proporcionar momentos de conversa e troca com os leitores, porque acredito que esse encontro também faz parte da experiência da literatura”, afirma Telma.








