O Mamangava Lab inaugurou na quarta-feira a exposição EU AFETO no Museu de Arte do Paço, em Porto Alegre. Com curadoria de Laila Garroni, a mostra reúne obras inéditas de 20 artistas visuais negros do Rio Grande do Sul, oferecendo uma reflexão profunda sobre afeto, pertencimento e a experiência negra no estado.
Detalhes práticos da mostra
A abertura aconteceu às 18h, com entrada franca e a visitação disponível de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, até 9 de dezembro. A programação inclui atividades especiais para a Semana da Consciência Negra (16‑19 de novembro). Os visitantes podem acompanhar a exposição no site do Mamangava Lab e nas redes sociais @euafeto.expo e @mamangava.lab.
Os 20 artistas são:
Afrokaliptico
Avel
CARCOR
Estêvão da Fontoura
Gustavo Assarian
Josemar Afrovulto
Kayla Calistro
Leandro Machado
Lia Braga
Marcos Porto
Marlon Laurencio
Mitti Mendonça
Pamela Zorn
Paulo Corrêa
Rusha
Thiago Madruga
Tintas Dener
Virgínia Di Lauro
Wagner Mello
Yasmim Lima
O que a curadoria quer dizer
“O trabalho coletivo representa o que é ser uma pessoa negra no mundo, no RS e quais são todos os afetos que nos permeiam”, afirma Laila. “Afeto não é só o que tentam nos dizer que é esse sentimento romantizado: amor ou carinho, por exemplo.” Ela acrescenta que a exposição também contempla “a nossa raiva, insatisfação, os nossos momentos de solidão e despertencimento. Isso tudo vislumbra a nossa existência“.
O processo curatorial foi descrito como um “processo de terapia” com cada artista. “Quando eu levantava esses questionamentos e os artistas passavam por um processo de autoanálise, de entender: mas por que realmente eu acho que a minha raiva não é afeto?”, conta Laila. “E aí a gente discutia horas e horas sobre isso, sobre como a raiva, principalmente relacionada ao povo negro, é usada para nos retirar a nossa humanidade”.
Essa abordagem crítica se alinha ao objetivo do projeto de distanciar-se da idealização do afeto, investigando as armadilhas criadas quando aceitamos apenas sua faceta agradável. O documentário EU AFETO, dirigido por Laila, já foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo e será lançado em 2027, reforçando a importância da narrativa negra na diáspora brasileira.
O projeto contou com recursos do Edital SEDAC/PNAB RS nº 29/2024 e do apoio da Lei Paulo Gustavo, demonstrando a relevância do investimento público em cultura negra contemporânea.
Para quem busca compreender as múltiplas dimensões do afeto na experiência negra, EU AFETO oferece um convite à reflexão e à celebração da diversidade cultural no Rio Grande do Sul.
Créditos:
Curadoria: Laila Garroni;
Produção Executiva: Caroline Ferreira;
Projeto Expográfico: Thaise Machado;
Identidade Visual: Aline Gonçalves;
Realização: Mamangava Lab.








