Em uma era onde a música é cada vez mais digitalizada e fragmentada, é refrescante ver dois mestres da música brasileira se unirem para criar algo verdadeiramente especial. O álbum “Maracanós” é um testemunho disso, reunindo o percussionista Airto Moreira e o multi-instrumentista Ricardo Bacelar em uma jornada musical que transcende fronteiras e gêneros.
O Nascimento de “Maracanós”
Gravado no estúdio de Bacelar, o álbum “Maracanós” é o resultado de uma parceria inédita entre os dois músicos, que se reuniram para criar algo novo e inovador. A gravação do álbum foi realizada em duas etapas, com Airto Moreira visitando o estúdio de Bacelar duas vezes, primeiro com a cantora Flora Purim, parceira musical e amorosa de Airto desde a década de 1960.
Segundo Ricardo Bacelar, a ideia do disco nasceu durante a captação do longa-metragem dirigido pelo cineasta Jom Tob Azulay, que registrou todo o processo de gravação do álbum. “Foi uma época de muita felicidade para todos, tivemos ótimos momentos“, conta Bacelar.
A Parceria Musical de Airto e Flora
Flora Purim, considerada pela crítica norte-americana como a melhor cantora de jazz dos EUA por quatro anos consecutivos (de 1974 a 1977), faz uma participação especial nos vocais na faixa “Voo da tarde”. A parceria musical de Airto e Flora é uma das mais importantes da história do jazz brasileiro, e sua colaboração no álbum “Maracanós” é um tesouro para os fãs da música.
Um Álbum Sem Convenções
“Maracanós” é um álbum essencialmente instrumental, que combina instrumentos acústicos e sintetizadores em uma arquitetura sonora que equilibra improvisação, densidade harmônica e pesquisa timbrística. A criação do álbum foi guiada pela liberdade e experimentação, como conta Ricardo Bacelar.
“Quis prestigiar a liberdade e a experimentação muito presentes na música de Airto e Flora, a própria história dos dois. Fiz uma fusão de música acústica com percussões, cordas, texturas eletrônicas, conferindo originalidade e um caráter bastante imersivo ao disco, que foge do modelo comercial comum na indústria da música de hoje em dia“, diz Bacelar.
O Legado de Airto Moreira
Airto Moreira, considerado o pai da percussão contemporânea, é um músico que tem deixado um legado inestimável na música brasileira. Com uma carreira que abrange mais de 50 anos, Airto tem tocado com lendas do jazz como Miles Davis, Wayne Shorter, Dave Holland, Jack DeJohnette, Chick Corea, John McLaughlin, Keith Jarrett, Santana, Joe Zawinul, Jaco Pastorius, Al di Meola, Stan Getz e George Benson, entre muitos outros.
“O fato de eu ter tocado com esses gigantes é um sinal de que eu sempre estive aberto para a criatividade. Você tem que confiar nos seus instintos musicais para criar, sem atrapalhar ninguém ou se atrapalhar. Sempre confiei nos meus, desde criança“, conta Airto.
“Maracanós” é um álbum que transcende fronteiras e gêneros, um testemunho da criatividade e liberdade que caracterizam a música de Airto Moreira e Ricardo Bacelar. É um álbum que nos leva a refletir sobre o legado musical de Airto e a importância da colaboração entre músicos de diferentes gêneros e estilos. É um álbum que nos faz sonhar e nos inspira a criar algo novo e inovador.
E é por isso que “Maracanós” é um álbum que você não pode perder. Com sua mistura de instrumentos acústicos e sintetizadores, sua densidade harmônica e sua pesquisa timbrística, “Maracanós” é um álbum que você vai querer ouvir novamente e novamente.








