Na última quarta-feira (23), a banda carioca 808 Punks lançou o videoclipe de Bater Cabeça e Rebolar, faixa que compõe o EP de estreia homônimo, publicado em 2025 pela Bonde Music. A produção, dirigida por Rabu Gonzales – já responsável por visuais de Xamã, Mumuzinho, Emicida e Ludmilla – busca traduzir em imagens a mistura de referências que caracteriza o som do grupo.
O vídeo e a estética Anarkophunk
Segundo Xandee, guitarrista da banda, a proposta foi apresentar a 808 Punks de forma direta: “A ideia do vídeo foi fazer um raio x da banda, mostrar e dizer para que a gente veio e qual é o nosso recado! É como uma Polaroid da banda, nua e crua.” Para o diretor, a aproximação entre as duas vertentes está justamente na maneira como punk e funk se constroem. “A ideia é mostrar que entre funk e punk, só se muda umas letras (rs), os dois são crus, e vêm do ‘faça você mesmo’. É um clipe cru e direto como o punk e o funk são.“
Essa postura reflete a própria identidade sonora da banda, que mistura punk, funk, samba, rock’n’roll e música eletrônica. Prixxx, uma das vocalistas, descreveu o desafio de retratar essa diversidade no vídeo sem perder o caráter dançante da música: “A ideia foi levar para o audiovisual a mesma mistura que existe na nossa música, sem medo de juntar referências diferentes.” Ela acrescenta: “A música tem peso e agressividade, mas também tem groove, dança e humor.”

A banda e sua formação
A 808 Punks é formada por André Paumgartten (voz, programação e theremin), Glenda Maldita (voz), Prixxx (voz), Xande Farias (guitarra), Formigão (baixo) e JotaErre (bateria). A última chegou à banda em maio de 2026, vindo do MC’s HC, e fez sua estreia no Circo Voador após apenas um ensaio. “A química simplesmente apareceu. A sensação foi de que eu já tocava com aqueles caras há muito tempo“, conta.
Desde o lançamento do EP, a 808 Punks tem ampliado sua circulação internacional. A banda se apresentou no Uruguai, onde a data teve ingressos esgotados, e já tem novo show marcado em novembro. Em outubro, segue para a Alemanha, onde se apresentará pela primeira vez. “Estamos muito empolgados com o show na terra do Kraftwerk e do Einstürzende Neubauten“, revela Formigão. Paralelamente, a banda já trabalha na pré‑produção do próximo álbum, que chegará às plataformas musicais em 2027.
Expansão internacional e futuro
O videoclipe de “Bater Cabeça e Rebolar” reforça a definição que a própria banda adotou para sua sonoridade: Anarkophunk. “A gente chama o que fazemos de Anarkophunk porque existe uma atitude punk na nossa música, mas não aceitamos ficar presos a uma única fórmula”, explica Glenda Maldita. “Misturamos punk, funk, samba, rock’n’roll e música eletrônica para criar uma identidade própria, pesada, dançante e irreverente.” Prixxx complementa: “Falamos de temas atuais, conscientização, poder feminino, valorização da classe trabalhadora e questões sociais, mas fazemos isso sem abrir mão do humor ácido.”
Para André, influências claras da mistura entre o rock e o funk incluem MCs HC, Comunidade Ninjitsu, Bonde do Rolê e DeFalla. Ele ressalta que a banda “puxou o papo mais pro subúrbio carioca mesmo, juntando com samba de quadra e funk de baile que é a coisa mais punk do mundo.” Essa combinação, ele argumenta, está relacionada à própria origem do punk: “Punk é coisa criada por suburbano, operário, desempregado, estigmatizado e tanto o DIY quando o NO FUTURE tem muito a ver com o funk, o samba de quadra e o subúrbio carioca.”
Com um videoclipe que não poupa energia nem criatividade, a 808 Punks reafirma seu posicionamento como pioneira do Anarkophunk. A banda demonstra que é possível unir a rebeldia do punk com a batida contagiante do funk, o ritmo do samba e a pulsação eletrônica, sem perder a mensagem social e o humor ácido que os caracterizam. À medida que se consolida no cenário internacional, a 808 Punks promete ainda mais inovação e energia nas próximas produções, mantendo o coração pulsante do subúrbio carioca e o espírito DIY que define o movimento punk.








