Em meio ao ritmo contagiante da Estação Primeira de Mangueira, um novo capítulo da história da comunidade está prestes a ser publicado. O livro de contos As Mangueirenses, é fruto de parceria com a Editora Albatroz, traz 30 histórias que revelam a riqueza emocional e a diversidade de experiências das mulheres do Morro, desafiando estereótipos que reduzem a favelada a um universo limitado.
Yke Leon, coordenador editorial, relata que o processo de escrita foi “uma honra muito grande” e que, ao perceber que cada encontro era “uma fonte inesgotável de narrativas“, concluiu que poderiam ter escrito “uns três volumes de As Mangueirenses”. O autor destaca que o livro é apenas o primeiro passo, “mérito delas“, e que a intenção é levar as histórias dessas mulheres para além das páginas policiais, mostrando que a favelada também pode ocupar espaço na cultura.
O prefácio, assinado pela cantora Alcione e pela presidente da Estação Primeira, Guanayra Firmino, reforça a importância da representação. Alcione afirma: “Falar das mulheres da Mangueira é falar de mulheres guerreiras e batalhadoras. De uma casta muito especial que, mesmo enfrentando dificuldades, sabe como lidar com as intempéries e as mazelas da vida.” A mensagem ecoa no texto do livro, que mistura momentos de humor – como a história de uma mulher que mudou de nome na certidão de nascimento – com tragédias, como a perda de uma filha durante um desfile na Sapucaí.
A Associação Meninas e Mulheres do Morro (AMMM), fundada em 1995, foi contemplada no edital de Produção Literária da SECEC‑RJ. A ONG, que atua em educação, cultura e empoderamento feminino, tem como missão transformar a vida de crianças, jovens e mulheres do Morro. “Esse livro serve para mostrar a força das mulheres da Mangueira e da comunidade, como um todo”, diz Kely Louzada, fundadora e coordenadora geral da AMMM.
Com As Mangueirenses, o Morro da Mangueira dá mais um passo na luta por reconhecimento e valorização cultural. A iniciativa da AMMM, a parceria com a Editora Albatroz e o apoio da SECEC‑RJ demonstram que a literatura pode ser um instrumento poderoso de inclusão e empoderamento. A obra não apenas narra histórias, mas também convida o público a refletir sobre a pluralidade de narrativas que existem na periferia, convidando todos a ouvir, aprender e celebrar a voz das mulheres mangueirenses.








