Berg Menezes lança o álbum Faísca, Fagulha Ou Centelha, unificando a música e acessibilidade desde sua concepção criativa

Berg Menezes lança o álbum Faísca, Fagulha Ou Centelha, unificando a música e acessibilidade desde sua concepção criativa
Crédito: Daniel Calvet

Terceiro álbum de estúdio do cearense traz Libras, audiodescrição e poética inclusiva como pilares estéticos

Celebrando duas décadas de trajetória na música independente, o cantor, compositor e guitarrista cearense Berg Menezes lança em todas as plataformas digitais o seu aguardado terceiro álbum de estúdio, Faísca, Fagulha ou Centelha. Produzido por Victor Oliveira e Berg Menezes, o disco condensa a maturidade do artista em um repertório denso e expansivo, onde a acessibilidade deixa de ser um mero recurso de adaptação para se tornar a própria matéria-prima do processo de criação.

A identidade visual do álbum sintetiza esse olhar reflexivo e comunicacional: a arte digital da capa foi concebida pelo artista visual Gilberto Cardoso Jr, criada diretamente a partir de um registro macro do próprio olho de Berg Menezes. Além de ser uma metáfora para a íris que enxerga o outro e a janela de percepção entre o artista, a luz e o público. Em novembro, o álbum ganhará uma nova dimensão com o lançamento de sua parte audiovisual, completamente disponível em Libras.

A Semente de Faísca, Fagulha ou Centelha nasceu em 2019, quando Berg realizou seu primeiro show com uma intérprete de Libras na Virada Sustentável. A urgência da comunicação inclusiva levou o artista a integrar permanentemente a intérprete Vanessa de Assis como uma verdadeira segunda vocalista da banda e a mergulhar, nos Laboratórios de Pesquisa do Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), numa investigação estética bilíngue ao lado do Instituto Cearense de Educação de Surdos e do Instituto dos Cegos.

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Guiado pelo princípio “Nada sobre nós, sem nós”, o álbum foi idealizado em constante diálogo com pessoas surdas e cegas. A pesquisa desfez mitos, provando que a experiência musical surda vai além de vibrações pesadas, abrindo espaço para melodias sutis, e criou uma audiodescrição poética e sensorial onde os próprios músicos conduzem as atmosferas sem limitações literais.

A faixa “Fagulha” exemplifica essa fagulha criativa: nascida após meses de imersão e inspirada pela poética do clássico “Pavão Misterioso”, de Ednardo, a composição evoca a figura da Fênix, do Querubim e de Exú como mensageiros da inquietude. 

“Desde sempre o assunto precisava me conectar com o ato de me comunicar melhor com pessoas cegas e surdas. A música precisava ser chama para queimar a quem se alcança não pela dor, mas pela inquietude”, revela Berg, que celebra seus 20 anos de carreira se reinventando artísticamente e explorando terrenos poucos caminhados na música mundial.

Trabalhado entre o Cabidi Home Studio, SEPASSANDO rec e Troça Estúdio, o disco traz arranjos ricos executados por Ivan Timbó (teclados/synths/pianos), Jefferson Juan (guitarras), Vitor Maia (baixo), Álvaro Abreu (bateria/percussão eletrônica), Artur Guidugli (percussão), Vits (backing vocals) e participações especiais de Zeca Kalu e Allan Kardec Filho (viola dinâmica)..

Após passar pelas bandas Relicário e Os Coadjuvantes, lançar os EPs Imperfeito (2013) e Vagabundo (2014) e os discos Pedra (2016) e Qual é a sua Revolução? (2018), Berg Menezes estabelece em seu terceiro álbum um marco definitivo na música brasileira ao provar que a arte inclusiva é, essencialmente, uma experiência estética para todos.

O álbum Faísca, Fagulha ou Centelha já está disponível em todas as plataformas de streaming.

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