Diretamente de Franca, São Paulo, o rapper Matuto S.A. foi nomeado finalista do Grammy Latino 2026 pela obra “Terra Vermelha: Do interior pro interior“. Lançado em março de 2026 e distribuído pela Symphonic Brasil, o disco disputa a categoria de Melhor Álbum de Música Urbana em Língua Portuguesa. A notícia veio à tona na quarta‑feira (16/9) quando a academia divulgou a lista de indicados, que inclui nomes consagrados, além de representantes da nova geração, Ajulliacosta e Budah.
Para o artista independente, a indicação significa mais do que um reconhecimento: é a chance de representar suas raízes em um palco internacional. Em entrevista, Matuto expressou: “É um prazer imenso não só receber a indicação, mas ter a chance de representar minhas origens pela música e ser reconhecido por isso. Fora a chance de ser visto, acredito que fui compreendido e são poucos artistas que conquistam esse marco.”
O álbum, composto por 14 faixas, mergulha em um caldeirão cultural que une rap, reggae, jazz, viola caipira e samples nacionais. A faixa “De Kool Herc a Tião Carreiro” exemplifica essa fusão, traçando um percurso que vai desde os berços do hip‑hop até as tradições do interior paulista. Essa abordagem foi batizada de “Regional Beat”, movimento que Matuto, que também é trompetista e produtor, criou para integrar a sonoridade da viola caipira ao ritmo urbano.
Além da indicação, o artista já figurou na lista de 50 melhores álbuns de 2026 da Billboard Brasil, reforçando sua relevância no cenário musical. A Symphonic Brasil, distribuidora responsável pela obra, destacou que “A indicação do Matuto S.A. ao Grammy Latino representa um marco para a sua trajetória e para toda a cena do rap underground. Ver um trabalho tão genuíno como o ‘Terra Vermelha’ unindo a cultura do interior ao hip‑hop e alcançar esse nível de reconhecimento reforça o compromisso em potencializar a pluralidade dos nossos artistas.” – afirma Ian Bueno, diretor‑geral da Symphonic.
Para participar da cerimônia, marcada para o dia 12 de novembro em Las Vegas, o artista está organizando uma vaquinha online, pedindo: “qualquer ajuda é bem‑vinda.” Essa iniciativa destaca a realidade de muitos músicos independentes que precisam arcar com custos de viagem e logística para alcançar reconhecimento global.
Matuto S.A. não apenas traz o rap caipira para o centro das atenções, mas também demonstra que a cultura interiorana pode dialogar com o hip‑hop de forma inovadora e autêntica. Sua presença na lista de finalistas do Grammy Latino sinaliza uma mudança de paradigma: artistas independentes e de nicho têm espaço nas principais premiações, ampliando a diversidade sonora do cenário latino‑americano. Se o resultado da votação for positivo, Matuto S.A. ficará na história como um dos pioneiros que levaram o interior paulista a um palco global, inspirando futuras gerações a explorar suas raízes e a romper fronteiras musicais.








