O nome da atriz Isadora Gondim já ecoa em vários círculos de teatro e televisão, mas a sua estreia na TV Globo, na novela A Nobreza do Amor, marca um ponto de virada que vale a pena ser contado. A história da conquista não é apenas sobre o resultado final, mas sobre os quase, os testes, os “não” que a fizeram crescer e a preparação que a levou a interpretar Rosa, uma jovem nordestina marcada pelo luto e pela força.
Um caminho que levou quase uma década
Ao chegar aos 19 anos, Isadora fez seu primeiro teste na emissora, quando a Globo procurava elenco para a série Onde Nascem os Fortes. A oportunidade não se concretizou, mas a lembrança ficou marcada. “Fiquei bastante frustrada, porque queria muito fazer. Não recebi mais nenhuma mensagem por dois meses e achei que já era“, lembra a atriz. Nove anos depois, em março de 2024, a mesma produtora de elenco a chamou para uma participação em A Nobreza do Amor. Apesar de enviar o material, outro nome foi escolhido. Dois meses depois, em junho, a surpresa veio: um convite para interpretar Rosa, personagem que ficaria até o final da trama.
Para Isadora, o convite foi mais do que um papel. “Entrar num estúdio da Globo pela primeira vez e carregar uma personagem que tem meu sotaque, que é da minha terra! Difícil de explicar essa emoção.” O projeto chegou num momento simbólico de sua vida, quando ela estava questionando se ainda continuaria a perseguir o sonho de atuar. “Receber essa notícia naquele momento teve um significado que ultrapassou conseguir um trabalho. Foi quase como a vida me dizendo: ‘fica só mais um pouco, que isso é pra você’.“
Rosa: luto, talento e a arte de costurar
Rosa, filha de Nilo (Daniel Porpino) e irmã de Severino (Pedro Fasanaro), chega a Barro Preto depois de perder a mãe e três irmãos pequenos. A jovem, que vive o peso de responsabilidades fora de sua idade, mantém o talento que herdou da mãe: costura e renda. Para dar autenticidade ao papel, Isadora aprendeu a costurar antes mesmo de chegar ao set, e participou de workshops de renda usando bilro, “um trabalho de criação muito cuidadoso, porque Rosa exige que eu encontre uma realidade bem distante da minha.”
“O mais importante tem sido não representar simplesmente uma menina pobre, triste, trabalhadora, mas encontrar as várias nuances que ainda existem nela, apesar de tudo que passou na vida“, explica a atriz, destacando a importância de Jefferson Miranda, diretor de elenco, que a ensinou a usar a máquina de costura e a encontrar o tom da personagem.
Bastidores que unem história e talento
Além de Daniel Porpino e Pedro Fasanaro, Isadora contracena com Duda Santos, Ronald Sotto e Ana Cecília Costa. “Ana Cecília é a atriz que mais me ajuda e acolhe no trabalho de cena, com uma generosidade tremenda”, diz a atriz. Um dos momentos mais simbólicos foi trabalhar com Pedro Fasanaro, que, nove anos antes, estava ao lado de Isadora na fila para o primeiro teste da Globo. “Me sinto empolgada de fazer cena com todo mundo, já que é o meu primeiro papel na televisão.”
Para quem acompanha a carreira de Isadora Gondim, a estreia na Globo não é apenas um novo capítulo, mas a confirmação de que a perseverança, a preparação e a conexão com a própria história podem transformar uma simples oportunidade em uma performance que reflete a alma do nordeste brasileiro.








