Há pouco mais de 14 anos, um convite feito durante o Carnaval mudaria para sempre a vida de Allessa Paes, atual Miss Pará Gay. O que começou como uma brincadeira diante da maquiagem de um amigo revelou uma artista e, principalmente, uma nova forma de enxergar a própria identidade.
Criada no Pará, em uma família tradicional e conservadora, Allessa encontrou no transformismo um universo até então desconhecido. Vieram os cursos de maquiagem, os estudos sobre moda e a construção cuidadosa de uma persona que, com o passar dos anos, se transformaria em uma das marcas mais fortes de sua trajetória.
Mas Alessa descobriu cedo que seu destino não estava apenas nos shows. Seu lugar era a passarela.
A grande virada aconteceu em 2018, quando acompanhou a passagem de Guiga Barbieri, então Miss Brasil Gay, pelo Pará. O glamour, a imponência e a representatividade do concurso despertaram nela um desejo que se tornaria projeto de vida. No ano seguinte, Allessa estreava no Miss Pará.
A trajetória ganhou ainda mais força em 2022, quando participou do Miss Macaé e conquistou a oportunidade de representar Sergipe no Miss Brasil Gay, em Juiz de Fora. Mesmo estreante no palco nacional, surpreendeu ao garantir um lugar no Top 5 e conquistar o prêmio de Melhor Traje de Noite.
Agora, de volta ao Pará e coroada Miss Pará Gay, Allessa chega ao nacional cercada de expectativa. Desta vez, ela não vai apenas competir: carrega o sonho de levar o título inédito para o Pará e para toda a Região Norte.
Uma miss além da coroa
Se a beleza abre portas, é a personalidade que Allessa acredita ser capaz de mantê-las abertas.
Nos bastidores dos concursos, a Miss tornou-se conhecida também pela disposição em acolher e ajudar outras candidatas. Para ela, a competição não precisa eliminar a solidariedade. Pelo contrário: a passarela pode ser um espaço de força, respeito e união.

Seu próprio nome artístico parece ter antecipado essa missão. Criado a partir da busca por originalidade e delicadeza, “Allessa” ganhou ainda mais significado quando ela descobriu sua associação com a ideia de “protetora da humanidade”.
E proteção é justamente uma das palavras que definem sua visão de reinado.
Para Alessa, uma coroa não deve existir apenas para as fotografias. Ela representa visibilidade, voz e responsabilidade. A Miss defende que figuras públicas utilizem sua projeção para falar sobre representatividade, respeito, cidadania e combate ao preconceito.
O Pará na passarela nacional
Nas ruas de Belém, especialmente em lugares emblemáticos como o Ver-o-Peso, Allessa já experimenta o carinho espontâneo do público. Sua imagem ultrapassou os limites dos concursos e ganhou reconhecimento entre pessoas que acompanham sua trajetória.
Agora, todas essas experiências desembocam em um único palco: o Miss Brasil Gay.
Mais madura, experiente e consciente da força que carrega, Alessa Paes prepara-se para representar o Pará com uma mistura de elegância, ancestralidade e orgulho nortista.
E, se depender dela, a viagem até Juiz de Fora não será apenas uma disputa por uma coroa.
Será a oportunidade de fazer a voz do Pará ecoar em todo o Brasil.

Allessa Paes está pronta. O Pará também. E o Brasil Gay vai conhecer, mais uma vez, a força transformista que nasceu no Norte e encontrou na passarela o seu lugar no mundo.









