Brasileira radicada no Benin, Sarahysha chega ao Brasil com uma criação que aproxima afro-jazz, ritualidade, performance e memória ancestral. Cantora, compositora, performer e pesquisadora, ela apresenta Spiritual Biatch! – Corpo, Memória e Resiliência, projeto desenvolvido a partir do encontro entre musicalidades afro-diaspóricas, práticas corporais e experiências vividas na África Ocidental.
Ouça Sarahysha: https://linktr.ee/Sarahysha
Ouça “Marias de Madalenas e Padilhas (Remix)”: https://www.youtube.com/watch?v=DGB2FXi2HW0
Com trajetória entre São Paulo, Caribe, França, Ilha de Reunião e Benin, a artista construiu uma linguagem própria, marcada pelo trânsito entre territórios, espiritualidades e cenas musicais. Sua obra desloca o jazz do formato tradicional de palco para uma experiência sensorial, na qual voz, corpo, improvisação e presença cênica se articulam como elementos centrais.
O projeto ganha força no momento em que Sarahysha amplia sua circulação no Brasil, com foco em palcos, festivais, casas de jazz, espaços culturais e programações dedicadas à música brasileira contemporânea. Além da pesquisa musical, a artista reúne uma comunidade expressiva nas redes sociais: são mais de 185 mil seguidores no TikTok, onde compartilha conteúdos ligados a música, corpo, espiritualidade, diáspora e cotidiano artístico.
Uma artista brasileira em trânsito afro-atlântico
Nascida em São Paulo, Sarahysha começou a cantar ainda na infância, em corais de igreja, e cresceu em uma família influenciada por música, fé e pelas tensões espirituais do Brasil popular. Antes de migrar para a África, passou pelos circuitos underground de jazz de São Paulo, pela noite da Augusta e por experiências musicais no Caribe, na França e na Ilha de Reunião, território francês no Oceano Índico.
Esses deslocamentos geográficos, culturais e espirituais levaram a artista a aprofundar uma investigação sobre diáspora, feminino, dança e ancestralidade. Hoje, sua atuação combina criação musical, performance e circulação internacional, aproximando diferentes regiões da diáspora africana em uma obra de forte presença cênica.
No Benin, Sarahysha encontrou um território decisivo para esse processo. O contato com músicos locais, ritmos cerimoniais, práticas vodùn e formas de transmissão baseadas no corpo transformou sua maneira de compor, cantar e conduzir processos criativos.
Música manifesta e partitura corporal
Sarahysha prefere não definir sua música por um único gênero. Sua criação se aproxima do afro-jazz, do spiritual jazz e da psicodelia africana diaspórica, mas nasce de um procedimento que ela chama de “música manifesta”: primeiro a música aparece no corpo, depois ganha forma sonora.
Em vez de partir da partitura tradicional, a artista trabalha com o conceito de “partitura corporal”. A composição surge de sensações físicas, respiração, movimento, voz, energia e escuta interna. É uma forma de criação conectada a tradições em que a música é transmitida oralmente, pelo gesto, pela pele e pela presença.
“Minha música não nasce de uma forma pré-definida. Eu escuto os sons por dentro e depois vou esculpindo as ondas sonoras”, afirma Sarahysha. “É uma música de reconexão. Não necessariamente religiosa, mas uma música que religa o corpo a algo que está além do visível.”
Benin, Brasil e a criação de uma ponte sonora
Em Spiritual Biatch!, percussões tradicionais, baixo, bateria, piano/teclado, trompete e voz se encontram em uma formação afro-jazz que reúne músicos do Benin e do Brasil. A proposta articula improvisação, pulsos afro-brasileiros, harmonias contemporâneas e texturas rituais em uma experiência musical, sensorial e performática.
Mais do que propor uma fusão de referências, Sarahysha investiga como memórias ancestrais podem ser ativadas pelo som e como o corpo guarda histórias, símbolos, traumas e potências. Na obra da artista, Brasil e Benin não aparecem como passado e presente, mas como territórios simultâneos de criação.
“O corpo e o canto são canais. No Benin, entendi com mais força que a música também pode ser escrita na pele, na memória, no movimento. A transmissão não está só no papel. Ela está no corpo”, explica.
Essa perspectiva transforma a ancestralidade em matéria viva para imaginar outras formas de existência, escuta e presença. No trabalho de Sarahysha, o passado não é tratado como nostalgia, mas como força ativa para a criação contemporânea.
Do palco às redes: uma pesquisa artística em expansão
A circulação digital também ocupa papel importante na trajetória da artista. Com mais de 185 mil seguidores no TikTok, Sarahysha alcança um público diverso, interessado tanto em sua pesquisa estética quanto em sua vivência como brasileira radicada na África Ocidental.
Esse diálogo entre palco, pesquisa e redes reforça o caráter contemporâneo de seu trabalho, enquanto artista ligada ao jazz, às tradições afro-diaspóricas e à performance, mas atenta às novas formas de circulação, escuta e construção de comunidade.
A mesma visão orienta o SB LAB – Creative and Cultural Production Studio, laboratório fundado por Sarahysha para criação, pesquisa e produção em música, dança e performance na África Ocidental e no Brasil. O espaço articula tradição, contemporaneidade e circulação internacional de obras, com foco em processos que conectam memória corporal, músicas afro-diaspóricas e novas possibilidades de cena.
Sobre Sarahysha
Sarahysha é cantora, compositora, performer e pesquisadora brasileira radicada no Benin, na África Ocidental. Com mais de 15 anos de trajetória na música afro-brasileira, no jazz e na performance, desenvolve uma pesquisa que conecta corpo, som, espiritualidade, ancestralidade e diáspora.
Fundadora do SB LAB – Creative and Cultural Production Studio, atua na intersecção entre criação artística, pesquisa cultural e circulação internacional, articulando pontes entre Brasil, Benin e outros territórios da diáspora africana.

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