Michael Vdelli, um renomado músico australiano de blues e rock, reflete sobre as mudanças na música ao vivo em um mundo dominado pela tecnologia. Com mais de 20 turnês pela Europa e apresentações ao lado de grandes nomes como BB King e George Thorogood, Vdelli compartilha suas experiências e pensamentos sobre a evolução da música e a importância da espontaneidade e da autenticidade.
A Mudança na Música
Desde os anos 80 até os dias atuais, a música ao vivo tem passado por uma transformação significativa. A tecnologia avançou a ponto de tornar a música mais acessível e fácil de produzir, mas também levou a uma perda de autenticidade e espontaneidade. Vdelli destaca que a indústria da música mudou drasticamente desde que ele iniciou sua carreira em 1986.
“Dizer que a indústria da música mudou desde que fiz meu primeiro show em 1986 seria um eufemismo enorme. Testemunhei a transição de enormes caixas de som e pesados amplificadores valvulados para sistemas de PA e equipamentos de palco compactos, leves e de alta potência. Vi a gravação evoluir de gravadores de fita de 2 polegadas e salas cheias de equipamentos analógicos para laptops capazes de produzir álbuns inteiros. Vi formatos surgirem e desaparecerem – vinil, cassetes, CDs, DVDs, MiniDiscs, ADATs, MP3s e, agora, streaming. Passei de desenhar cartazes de bandas à mão e ir de loja em loja pedindo permissão para afixá-los, a promover shows instantaneamente pelas redes sociais. Naquela época, tínhamos três canais de televisão e algumas estações de rádio musicais; agora temos YouTube, Spotify e um fluxo infinito de conteúdo disponível com o toque de um botão.”
A Perda da Espontaneidade
Vdelli destaca que a tecnologia levou a uma perda da espontaneidade e da autenticidade na música ao vivo. Ele relata que, em seu tempo, as bandas precisavam estar bem ensaiadas e organizadas antes de entrar em um estúdio de gravação, e que o processo de gravação exigia talento, disciplina, determinação, trabalho em equipe e comprometimento. Hoje em dia, muitos artistas de renome gravam músicas em partes, copiando e colando trechos, afinando e manipulando até que a performance tenha pouca semelhança com o que foi tocado originalmente.
“O resultado pode ser tecnicamente impecável, mas muitas vezes carece da sensação, da espontaneidade e da alma que fizeram a música conectar-se com as pessoas em primeiro lugar.”
A Importância da Autenticidade
Vdelli enfatiza que a música nunca foi sobre perfeição, mas sim sobre emoção, conexão e capturar um momento que pareça real. Ele destaca que a espontaneidade é o que o move e uma das razões pelas quais continua a tocar a música que toca. Cada noite é diferente da anterior, e é aí que reside a emoção.
“Um dos maiores obstáculos psicológicos que tive de superar nos últimos anos foi a chegada dos smartphones à plateia. De repente, havia pessoas em frente ao palco com câmeras apontadas para o meu rosto, gravando cada nota e cada movimento. No início, eu odiei. Sentia que isso estava tirando algo da experiência ao vivo, roubando a performance do público que estava ali presente e eliminando parte da espontaneidade e da diversão que são essenciais para os músicos.”
Michael Vdelli nos lembra que a música ao vivo é uma experiência única e que a tecnologia, embora tenha trazido benefícios, também pode levar a uma perda de autenticidade e espontaneidade. Ele nos encoraja a preservar nossa essência humana e a valorizar a emoção e a conexão que a música nos proporciona.
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