Na esteira da Copa do Mundo, o concurso de beleza Miss Copa do Mundo está causando ondas com a participação de Bruna Mendonça, uma modelo trans que representa a Arábia Saudita. Em uma entrevista exclusiva, Bruna revela que escolheu representar um dos países mais restritivos em relação aos direitos da população LGBTQIA+ para provocar reflexão sobre a discriminação e a invisibilidade.
Com 32 anos e morando em São Paulo, Bruna é uma modelo fotográfica e criadora de conteúdo adulto que fatura mais de R$ 80 mil por mês com seus vídeos e nudes. Ela iniciou sua transição aos 16 anos e ainda não fez a cirurgia de redesignação, algo que ela sonha para os próximos anos. Bruna é a primeira mulher trans a entrar no concurso de Miss e garante que a escolha não foi por acaso.

Para a modelo, a escolha de representar a Arábia Saudita é uma forma de desafiar as convenções e mostrar que a existência de mulheres trans não é uma ameaça, mas sim uma realidade que deve ser respeitada. “Muita gente acha que essa faixa não combina comigo. É exatamente por isso que ela faz sentido. Eu represento quem já foi discriminada e mandada se esconder. Quem já viveu invisível“, explica.
Bruna também rebate uma crítica frequente dirigida às mulheres trans em concursos de beleza.

A ideia de que mulheres trans querem substituir mulheres cis é, segundo Bruna, um preconceito criado para nos desumanizar. “Criaram essa narrativa para nos desumanizar. E isso geralmente parte de quem discrimina, e de quem nos procura para aventuras sexuais”, revela.
Depois da repercussão envolvendo o ex-jogador, Bruna espera que o interesse do público vá além da polêmica. “Se as pessoas chegaram até mim por causa de uma polêmica, tudo bem. Mas espero que fiquem pela discussão. A minha história nunca foi só sobre um relacionamento escondido. Sempre foi sobre viver sem precisar de permissão para existir.”
Com sua presença no concurso de Miss Copa do Mundo, Bruna está desafiando as convenções e mostrando que a existência de mulheres trans não é uma ameaça, mas sim uma realidade que deve ser respeitada. Sua história é um lembrete de que a luta pela igualdade e pela aceitação é um processo contínuo e que cada uma de nós tem um papel importante a desempenhar.










