Após uma travessia de sete anos por diversas regiões do Brasil, imigração e maternidade dupla, a cantora, compositora e atriz gaúcha Lua Fernandes lança seu primeiro single, “Deságua”. A faixa é a primeira amostra de um álbum autoral previsto para setembro e marca o início de uma nova fase na carreira da artista, onde ela passa de instrumentista em outros projetos para autora e vocalista do próprio trabalho.
Atualmente radicada em Barcelona, sua trajetória é marcada por uma pesquisa empírica e dedicação à cultura popular. Com formação no teatro e passagem de dez anos pelo importante grupo gaúcho Ói Nóis Aqui Traveiz, referência do teatro político no Brasil, a artista sentiu o chamado para desbravar o país. Movida por uma inquietação artística, ela viveu em diversos estados brasileiros, do Rio Grande do Sul até a Bahia, passando por regiões como Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, imergindo nos seus cotidianos, paisagens e festejos populares de matrizes afro-brasileiras e indígenas. Toda essa vivência foi documentada em cadernos de viagem, que agora ganham vida em forma de um novo álbum.
O mergulho de Lua Fernandes em “Deságua”
Produzida por James Calderón, premiado produtor venezuelano que já colaborou com nomes consagrados como Tony Succar e Richard Bona, e co-produzida pela própria Lua, “Deságua” é uma obra orgânica e sensorial. A faixa conta com a participação especial da cantora sul-matogrossense Thamires Tannous e do tamboreiro Gefe Lima, que traz a força da caixa do Maçambique de Osório, um tradicional festejo afro-religioso do Rio Grande do Sul. “São amigos queridos, que fizeram parte da minha história. Para criar uma textura que fosse singular para a canção, a gravação também incorporou sons da natureza, como pisadas na terra e o amassar de folhas secas”, comenta a artista.
Ouvir “Deságua” é sentir o rio correndo junto com a levada da canção, incorporando elementos da terra e as vozes doces e potentes que constroem a história. É conduzida pelo tambor, que costura a canção às vozes das artistas, às inserções orgânicas e à harmonia, criando uma sonoridade viva, terrena e em movimento. Como define a artista, a música nasce da percepção de que sempre partimos e, ao mesmo tempo, fazemos parte de algo maior: “Desaguar é reconhecer o processo e o percurso, sentir-se inteira mesmo sendo parte de um imenso mar – e também ousar ser mar”.
Ninguém entra duas vezes no mesmo Rio
Para 03 de abril, Lua preparou ainda outro lançamento: a densa e cinematográfica faixa “Há um Rio”, em parceria com a Camaleônica, grupo originário do subúrbio do Rio de Janeiro. Trazendo muitas camadas e efeitos sonoros, a canção nasceu de uma experiência intensa que a artista viveu em uma favela no Rio de Janeiro, onde testemunhou a complexidade do cotidiano desse território. A reflexão sobre a vulnerabilidade da juventude periférica e os contrastes da cidade inspiraram a letra e a atmosfera de trilha sonora da música.
Camaleônica propõe uma linguagem contemporânea tendo como base a ancestralidade cultural afro-brasileira e as influências da sua vivência nas favelas do Rio. Assim como Lua, os integrantes da Camaleônica vivem o sentimento de imigração desde sua chegada à capital catalana.
Como não poderia ser diferente, a festa de comemoração para ambos os lançamentos acontece em Barcelona. Abrindo o show do cantor carioca Leo Middea em um dos espaços mais importantes da cidade, a cantora apresenta suas faixas na Sala Apolo, em 09 de abril, a partir das 19h. Ela subirá ao palco ao lado de músicos que a acompanham desde sua chegada à cidade.
Celebração em Barcelona
O evento será de estreias. Leo Middea chega com sua banda completa para celebrar o lançamento de seu novo álbum, “Notícias de Puglia”. Com mais de 400 concertos realizados em 16 países e 20 milhões de streams no Spotify, o artista se consolidou como uma das vozes mais aclamadas da música brasileira na Europa, misturando MPB, samba, bossa nova e pop contemporâneo.
“Enxergo este momento como algo mais além de estreias e lançamentos. Para mim, existe algo muito forte em expor o que eu sinto e o meu canto, é a tradução de um longo processo que vem se desenhando em meio a tantas comoções na vida de quem recomeçou do zero mais uma vez, em terras distantes. É uma celebração e um desaguar enquanto música, compositora e artista”, reflete Lua Fernandes.
FICHA TÉCNICA: DESÁGUA
Composição: Lua Fernandes
Produção musical: James Calderón, Lua Fernandes
Arranjo: James Calderón, Gustavo Zysman
Gravação: James Calderón, Gustavo Zysman (efeitos sonoros), Mario Tressold (tambor de Maçambique)
Mixagem: Carlos Ferreira
Masterização: Carlos Ferreira
Estúdio: Ateneu 9Barris
Músicos:
Voz: Lua Fernandes
Voz (participação especial): Thamires Tannous
Violão: Gustavo Zysman
Baixo: James Calderón , Lucas Adon
Tambor de maçambique: Gefe Lima
Efeitos sonoros orgânicos: Nadieska, Gustavo Zysman, James Calderón, Monica Almirall e Galileu, Lua Fernandes
Capa: Anike Lamoso
Selo: Fliperama Lab
Produção executiva: Fliperama Lab, Lua Fernandes

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