Grupo Marujos Pataxó da Aldeia Mãe Barra Velha transformam ancestralidade em patrimônio vivo com livro, oficinas de música, filmes e álbum inédito 

Grupo Marujos Pataxó da Aldeia Mãe Barra Velha transformam ancestralidade em patrimônio vivo com livro, oficinas de música, filmes e álbum inédito 

Em meio aos desafios e perseguições enfrentados pela comunidade Pataxó no sul da Bahia, surge uma iniciativa poderosa de resistência e valorização cultural. O Grupo Marujos Pataxó dá mais um passo fundamental em sua missão de salvaguardar e difundir a cultura indígena brasileira. O projeto Memórias Ancestrais do Povo Pataxó teve como objetivo principal o registro, a preservação e a valorização do patrimônio cultural imaterial desta população. Através do projeto, foi realizado um mapeamento artístico-cultural em trinta e cinco aldeias, que resultou em um livro, documentário e um álbum especial feito pelas crianças da Aldeia Mãe, conhecidos como os Marujinhos Pataxó.

Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo do Estado da Bahia, através do IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, Ministério da Cultura e Governo Federal, o projeto promoveu durante um ano 40 oficinas culturais intergeracionais, conduzidas principalmente pela mestra anciã Maria Coruja, de 86 anos, sobrevivente do Massacre do Fogo de 1951. Mesmo surda e sem escolarização formal, Maria Coruja tornou-se professora das crianças do grupo Marujinhos Pataxó, ensinando cantigas de roda ancestrais que já não eram mais entoadas na comunidade, reativando memórias que atravessam gerações.

O processo resultou na publicação do livro interativo “Memórias Ancestrais – Mapeamento Artístico, Cultural e Territorial do Povo Pataxó”, escrito pela pesquisadora Márcia Camargo e por Mônica Bello, com base em entrevistas e registros realizados em 35 aldeias Pataxó nos municípios de Porto Seguro, Prado e Santa Cruz de Cabrália. A obra reúne história, território, espiritualidade, samba indígena, cantigas de roda, grafismos, medicina tradicional, modos de vida e relatos de anciãos, consolidando-se como instrumento de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial. O livro também traz acesso a documentários e álbuns musicais.

Compre o livro: https://bailerbooks.app.br/livro/memorias-ancestrais/ 

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O projeto também gerou uma série de documentários e vídeos temáticos, entre eles “Cantigas de Roda Ancestrais da Aldeia Mãe – Maria Coruja e os Marujinhos Pataxó”, dirigido por Mônica Bello, além de “Tecendo Ancestralidade nas Linhas do Tucum”, “O Tabu e o Tupsay” e “Suru Pataxó: Armadilha Ancestral de Pesca”. As produções registram saberes ligados à música, ao artesanato, às práticas de pesca e à transmissão oral como fundamento da continuidade cultural.

Assista “Tecendo Ancestralidade nas Linhas do Tucum”: https://youtu.be/EOWh5lSDt54

Assista “Cantigas de Roda Ancestrais da Aldeia Mãe”: https://youtu.be/wt7_9o3wMGw 

Como desdobramento das oficinas, nasce agora o álbum Cantigas Ancestrais, primeiro disco dos Marujinhos Pataxó, com participação especial de anciãs da Aldeia Mãe Barra Velha, em especial Maria Coruja. O trabalho contou com produção musical, gravações e masterizações de Lênis Rino, DJ Abigail e Caio Maia, além de arranjos de violão de Igor Citrângulo, resgatando canções centenárias esquecidas pelo tempo e devolvendo-as à comunidade em formato fonográfico.

O impacto da iniciativa ultrapassou o território local. O grupo Marujos Pataxó, da Aldeia Mãe Barra Velha, foi um dos vencedores do 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (2025), concedido pelo IPHAN. pelo trabalho de manutenção e revitalização do samba indígena e das cantigas ancestrais Pataxó. Eles receberam o prêmio em uma solenidade em Brasilia no dia 03/03, com presença de Coruja e uma apresentação do grupo.

A Aldeia Mãe, situada próxima ao Parque Nacional do Monte Pascoal, ocupa um espaço simbólico e real na memória do país: foi o primeiro aldeamento indígena do Brasil e continua sendo um ponto de referência e resistência. Permanecer ali, resistindo às pressões e ataques, é um gesto político, espiritual e cultural. É por isso que Memórias Ancestrais representa mais do que um disco: é um testemunho sonoro da força de um povo que transforma dor em arte e invisibilidade em voz.

O samba indígena, presente na formação do samba brasileiro no sul da Bahia, é aqui celebrado como ritual, memória e modo de vida. Na Aldeia Mãe, o ritmo não é apenas música: é espiritualidade e expressão coletiva da ancestralidade. As canções traduzem esse sentimento, com letras que falam da natureza, do campo, da fé e das lutas do povo Pataxó, tudo transmitido com a força e a pureza da voz das crianças.

Essa produção é parte de um esforço maior de resgate cultural iniciado pelo projeto Marujos Pataxó, que já lançou dois álbuns com músicas inéditas e um forte apelo pela demarcação das terras indígenas no Brasil. O projeto também lançou o clipe da música “A Força dos Encantados”, um remix assinado pela dupla Tropkillaz e o documentário Pataxi Imamakã – Aldeia Mãe Pataxó, atualmente em circulação por festivais de cinema, como o Festival de Trancoso 2024.

Ouça o disco “Hoje é o Dia do Índio”: 

https://go.nikita.com.br/HojeeoDiadoIndio_MarujosPataxo

Assista ao clipe “A Força dos Encantados”: https://youtu.be/motljkFBh2k 

Ouça o disco “A Força dos Encantados”: 

https://lnk.fuga.com/marujospataxo_aforcadosencantados

Ouça o remix de “A Força dos Encantados (Tropkillaz version)”: https://lnk.fuga.com/marujospataxotropkillaz_aforcadosencantados 

Assista ao trailer “Pataxi Imamakã – Aldeia Mãe Pataxó”: 

Mais do que registrar o passado, o projeto afirma a cultura como patrimônio vivo: crianças cantando com anciãos, mestres tradicionais reconhecidos como educadores e uma comunidade que reafirma sua identidade por meio da música, da memória e da palavra.

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