Em um mundo onde a velocidade é a palavra-chave, onde a produtividade e o sucesso são os objetivos mais buscados, é hora de parar e refletir sobre a nossa sociedade. O espetáculo “Sociedade do Cansaço“, da Cia da Ideia, é uma obra que explora a vida em acelerado, mostrando como a sociedade moderna pode ser um lugar de ansiedade, fragmentação e desespero.
Uma Investigação Cênica Sobre a Sociedade do Desempenho
Com direção e coreografia de Alessandro Brandão e Sueli Guerra, “Sociedade do Cansaço” foi idealizado por Daniel Chagas a partir do livro homônimo de Byung-Chul Han. A obra propõe uma investigação cênica sobre o que o autor denomina “sociedade do desempenho” – marcada por aceleração constante, ansiedade, fragmentação e estados depressivos. Ao mesmo tempo em que expõe esses sintomas do nosso tempo, a obra busca resgatar conceitos, ritmos e culturas que se colocam em oposição a esse modelo hegemônico de vida.
A partir da técnica dos “Viewpoints” e da provocação entre danças contemporânea, clássica e ritualística, teatro, performance, artes plásticas e música, o espetáculo coloca em cena uma série de estímulos – imagens, sons e palavras – que traduzem os caminhos da pesquisa artística do grupo. A concretude da relação contemporânea com o tempo e com os estímulos sonoro-visuais que nos atravessam diariamente é trabalhada no palco, refletindo sobre como temas filosóficos e conceituais, como desempenho e hiperpassividade, podem ser acionados e experienciados no corpo e na cena.
Um Espetáculo que Reflete a Vida em Acordo

“Sociedade do Cansaço” é um espetáculo que não oferece respostas ou conclusões fechadas no palco, mas abre espaços de reflexão e propõe novas formas de lidarmos com a contemporaneidade. Ao longo de 60 minutos, o elenco, formado por Alessandro Brandão, Ana Paula Cruz, Andreia Pimentel, Joca Gonzaga, Daniel Chagas e Sueli Guerra, conduz o público em uma experiência sensorial, crítica e afetiva.
A dança, com seus movimentos circulares e desviantes, torna-se um luxo que escapa completamente ao princípio do desempenho. A obra busca resgatar a dança como um movimento radicalmente distinto daquele imposto pela lógica do desempenho, mostrando como a dança pode ser uma forma de escapar do tédio e encontrar a liberdade.

Temporada e Informações
O espetáculo estreia no Teatro Angel Vianna, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, na Tijuca, em curta temporada de 06 a 29 de março, com sessões sextas e sábados, às 19h, e domingos, às 18h. As sessões contarão com tradução em libras e audiodescrição. Ao final das apresentações, ocorrerão bate-papos e debates gratuitos e abertos ao público em geral.
