O artista antónio vicente apresenta “DAMDARA”, single que apresenta um projeto musical, conceitual e político criado a partir de vivências LGBTQIAPN+ e da urgência de acolhimento em um país marcado pela violência contra corpos dissidentes. Escrita originalmente em 2018, a canção nasce do impacto causado pelo assassinato brutal da travesti Dandara dos Santos, em diálogo com o documentário Up Next: Pabllo Vittar e com um amplo estudo teórico sobre o feminino, o patriarcado e a histeria. Entre referências da música pop, eletrônica (techno) e clássica, “DAMDARA” se estabelece como um grito de identidade, libertação e memória.
Faça pré-save do EP: https://ditto.fm/damdara_31475cfc
“DAMDARA é a realização de que não tem o que possa ser feito, ela será o que tiver de ser. Não é uma história com um final feliz, mas no final, mesmo morta, ela se encontra em paz por ser quem ela realmente é”, explica o artista.
Artista gay, antónio vicente constrói sua obra a partir das próprias dores e alegrias, mas também da escuta atenta das vivências de pessoas LGBTQIAPN+. Seu trabalho parte do desejo explícito de acolher, de oferecer abrigo simbólico a quem foi violentado, marginalizado ou silenciado. A persona artística nasce da junção de dois legados afetivos: Antônio, seu pai, referência ética e profissional, e Vicente, seu avô materno, símbolo de generosidade e humanidade. Dessa fusão emerge um projeto que entende a arte como trabalho feito com o coração, mas também como instrumento de confronto. antónio vicente® existe para escancarar o incômodo, amplificar o silêncio sufocado e transformar o desconforto no início da conversa.
“DAMDARA” é resultado de um processo criativo profundamente ancorado no estudo. O artista parte de Estudos sobre a Histeria (1893–1895), de Sigmund Freud, onde o corpo feminino é historicamente enquadrado como território de controle, e amplia o debate com autores como Silvia Federici, Clarissa Pinkola Estés, Martha Robles, Gustave Flaubert e William Shakespeare. Esse percurso teórico se desdobra no ensaio audiovisual “FREUD & DAMDARA em manifesto”, publicado no YouTube, reforçando a crença de que a transformação social passa necessariamente pelo conhecimento crítico e histórico.
“A literatura, os livros, em geral, são a única forma de nos libertarmos. É através dos livros que podemos nos educar e seguir em frente, com escuta ativa e histórica; para que os erros do passado não sejam cometidos novamente no futuro”, explica.
A obra assume contornos de denúncia e memória. Dandara foi torturada e morta em um crime que ganhou repercussão internacional e expôs a violência contra pessoas trans no Brasil. Durante as agressões, segundo relatos, ela chamava pela mãe enquanto era espancada. A brutalidade do caso ecoa na construção artística do EP, que transforma a indignação em linguagem sonora.
Com trajetória que inclui participação em musicais, performances, grandes produções e programas de TV (como Across The Universe: O Musical, Entre Sonhos e Sonhos e o X Factor Brasil), antónio vicente reafirma seu compromisso: não oferecer conforto superficial, mas criar um espaço real de acolhimento. Um território onde existir, sentir e resistir são atos inseparáveis — e onde cada canção ecoa como gesto de memória, denúncia e libertação.
“DAMDARA” está disponível em todas as plataformas de música digital.

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