antónio vicente anuncia EP e transforma vivências LGBTQIAPN+ em manifesto sonoro

antónio vicente anuncia EP e transforma vivências LGBTQIAPN+ em manifesto sonoro

O artista, compositor, produtor musical e pesquisador brasiliense antónio vicente anuncia o lançamento de seu EP de estreia DAMDARA, aprofundando uma trajetória que une música, estudo e manifesto. Enquanto homem gay, ele constrói sua obra a partir das próprias vivências e das experiências de pessoas LGBTQIAPN+, transformando dor, memória e resistência em linguagem artística. Entre referências do pop, da música eletrônica e da música clássica, o trabalho reafirma sua proposta de fazer da arte um espaço de escuta, confronto e acolhimento onde identidade e política caminham juntas. A primeira amostra chega com uma versão poética e spoken word de “Pra Tudo Parar”.

Faça pré-save do EP: https://ditto.fm/damdara_31475cfc 

A faixa é um grito de desespero da personagem Damdara, que se sente entre a vida e a morte na sociedade atual. “Ela está pedindo para Deus, ‘me leva’, porque não aguento mais viver da forma que estou vivendo, nesta sociedade podre que a gente vive. Basicamente, ela está mostrando que a vida da pessoa trans é realmente uma vida que ninguém dá valor. Ninguém quer saber se você vai morrer ou se você não vai morrer, não vão dar palco para isso. É um choro de desespero, falando: ‘eu estou vivendo para quê se não me dão valor? Então me leva”, explica o artista.

Após conquistar um público falando de literatura no TikTok, o artista se reinventa mantendo a busca por novos caminhos na arte. A persona artística nova nasceu da junção de dois legados afetivos e simbólicos. Isso fica claro na série de estudos conceituais que o artista tem feito em seu canal.

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Confira o canal do artista: https://www.youtube.com/@anticronos 

“antónio vicente, pessoa jurídica, nasce depois de a pessoa física viver, experienciar e se ferrar, por assim dizer”, afirma o artista. “Antônio é meu pai. Alguém com uma ética profissional de tirar o fôlego; e Vicente era meu avô materno. Alguém que sempre teve o coração maior que os próprios pensamentos. Então, eu achei que seria a junção perfeita, onde apenas possa existir uma forma digna de trabalho: aquele feito com o coração”

Seu processo criativo é atravessado pela literatura e pelo pensamento crítico. Dialogando com autores como Sigmund Freud, Silvia Federici, Clarissa Pinkola Estés, Martha Robles, Gustave Flaubert e William Shakespeare, antónio vicente entende o estudo como ferramenta de transformação social. 

“A literatura, os livros, em geral, são a única forma de nos libertarmos. É através dos livros que podemos nos educar e seguir em frente, com escuta ativa e histórica; para que os erros do passado não sejam cometidos novamente no futuro”, explica.

O EP foi criado pelo impacto assassinato brutal da travesti Dandara dos Santos. A obra assume contornos de denúncia e memória. Dandara foi torturada e morta em um crime que ganhou repercussão internacional e expôs a violência contra pessoas trans no Brasil. Durante as agressões, segundo relatos, ela chamava pela mãe enquanto era espancada. A brutalidade do caso ecoa na construção artística do EP, que transforma a indignação em linguagem sonora. Com trajetória que inclui participação em musicais, performances, grandes produções e programas de TV (como Across The Universe: O Musical, Entre Sonhos e Sonhos e o X Factor Brasil), antónio vicente reafirma seu compromisso: não oferecer conforto superficial, mas criar um espaço real de acolhimento. Um território onde existir, sentir e resistir são atos inseparáveis — e onde cada canção ecoa como gesto de memória, denúncia e libertação.

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