Gui Flowerz transforma distância em desejo no single “Califa”

Gui Flowerz transforma distância em desejo no single “Califa”

Um quarto aceso pela luz alaranjada do fim da tarde. No fundo, a voz do cantor Criolo entoa alguma canção. Entre um sonho e outro, o eco de uma frase: “Sonhei que era Califórnia.” Assim nasce “Califa”, novo single de Gui Flowerz, o alter ego musical de Guilherme Ferraz, produtor e compositor nascido em Limeira (SP) e hoje radicado em San Diego, na costa da Califórnia.

Mais do que uma faixa, a novidade se propõe ser um percurso afetivo. No espaço outro que se situa em meio à calma do interior paulista e o calor psicodélico do Pacífico, Flowerz dá vida a uma canção que soa como um delírio em câmera lenta. É o instante em que o amor, o sol e a saudade se confundem. 

Gravada entre o Brasil e os Estados Unidos e produzida por Max Harwood (colaborador de nomes do indie como Lewis del Mar e Chloe Tang), a música se apoia em uma base de pop psicodélico, R&B e experimentação eletrônica, combinando camadas que reverberam o balanço do mar, o ruído do ar quente e o torpor de um desejo que não se deixa traduzir.

Ouça “Califa”: https://guiflowerz.fanlink.tv/califa

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Há algo de sonho e confissão noturna em cada verso. “Deixa eu pedir uma licença / eu falo pouco, não demora”, canta Gui, enquanto guitarras se derretem e batidas parecem ecoar uma viagem etérea. Esta é uma música que se recusa à pressa, que pede para ser sentida no corpo enquanto flertam delírio e despertar.

“Essa música é sobre o sentimento de estar entre mundos. Cresci em Limeira e hoje vivo em San Diego. As diferenças entre esses lugares me moldaram, entre o ritmo calmo e a intensidade criativa, entre o asfalto e o mar. ‘Califa’ é sobre aprender a habitar esse meio-termo”, reflete o artista.

No clipe, dirigido pelo próprio Gui, o sonho se prolonga na tela. Filmado no litoral californiano, com registros analógicos e adicionais do cotidiano, o vídeo se firma como um diário solar e melancólico, em que o mar e a estrada se tornam metáforas de um mesmo percurso: a travessia por aquilo que se ama e o que se deixa para trás. As imagens evocam ainda a luz de um verão que nunca termina, deixando a sensação de que toda distância é também um espelho.

Com o projeto Gui Flowerz, Guilherme Ferraz tem desenhado um espaço onde gêneros e afetos se misturam. Suas composições transitam entre o rock psicodélico, o pop e o hip-hop, unindo timbres orgânicos e experimentações digitais em busca de um som que seja, ao mesmo tempo, íntimo e expansivo. A música, para ele, é lugar de reinvenção e permanência. Uma tentativa de capturar o instante em que o passado se dissolve sob o sol do presente.

Em “Califa”, essa busca ganha nova forma. O artista transforma deslocamento em poesia, exílio em ritmo e saudade em matéria sonora. O resultado é um retrato afetivo de quem se divide, revelando sua existência em um tempo suspenso. Dar play neste caso pode como se encontrar em um delírio bonito, solar e ao mesmo tempo triste — como um beijo dado antes de atravessar o continente e cuja lembrança ainda pulsa quando o dia amanhece.

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