ÀIYÉ lança clipe “Cores de Oxum” unindo casamento trans, IA, psicodelia latino-americana e o amor como resistência

ÀIYÉ lança clipe “Cores de Oxum” unindo casamento trans, IA, psicodelia latino-americana e o amor como resistência

A cantora, baterista e produtora ÀIYÉ lança o videoclipe de “Cores de Oxum”, faixa que integra o álbum TRANSES (Balaclava Records) e celebra o amor como força afetiva, espiritual e política. A estreia reverencia, como o próprio título indica, a orixá das águas doces, da beleza e do amor, e ganha agora uma tradução visual cuja inspiração nasceu de uma obra visual gerada por IA.

Ouça “TRANSES”: https://ditto.fm/aiye-transes 

Parte da série Álbuns de Desesquecimentos, criada pela artista Mayara Ferrão e exposta no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP. Nela, a autora recria, com ferramentas de inteligência artificial, retratos de casais formados por mulheres pretas e originárias, a fim de preencher lacunas de um passado sem registros. 

“Evidenciar os afetos, desejos e sonhos de corpos pretos e LGBTQIA+, por uma ótica de liberdade, é em si revolucionário”, conta ÀIYÉ sobre o trabalho de Ferrão. “Esse clipe é um registro para o futuro, pra que existam referências e memórias de outras formas de amor, amores que sempre existiram, mas por muito tempo foram invisíveis”.

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Se em outros trabalhos de ÀIYÉ sua figura ocupa o centro da imagem, aqui ela é o fio que costura e acompanha o florescer de um sentimento. Vestida com uma balaclava preta e dourada que cobre seu rosto, a artista derrama água em jarros sagrados que representam firmeza e conexão com a ancestralidade e o mistério do espírito.

A canção, a mais ouvida da ÀIYÉ nas plataformas, canta a história da criação do mundo a partir da presença de Oxum, reverenciando suas cores (que nas religiões de matriz africana é associada ao ouro, ao dourado e amarelo). Na letra, Larissa propõe que as cores do amor são as cores do arco-íris, e pede à mãe que derrame água para acalmar o ódio, a brutalidade e a hostilidade. 

“O ritual do omi tutu é o ato de jogar água fresca no chão quente, para apaziguar o calor. Só se pode combater a dureza com amor. Essa letra é um pedido de trégua, de paz, e de bençãos de mãe oxum”, conta ela.

O enredo acompanha o encontro de Jucks (ele,dele) e Ziza (ela,dela) filmados em momentos reais e sonhados na cidade do Rio de Janeiro que, por sua vez, se mesclam a paisagens simbólicas repletas de texturas e formas psicodélicas, responsáveis por evocar os terreiros e a conexão com o sagrado, de forma lúdica e poética. 

Amigos de ÀIYÉ, os protagonistas tiveram como local de seu primeiro encontro uma apresentação da artista, o que confere à narrativa ainda mais profundidade. “O Jucks é meu diretor técnico, trabalha fazendo monitor e direção técnica de diversos artistas, como Majur, Liniker, entre outros. Já a Ziza é uma artista visual e tatuadora incrível. Referencia mesmo! Como o primeiro date foi uma apresentação minha, esta é uma história da qual sou testemunha”, conta ÀIYÉ.

Visualmente, a obra ainda se ancora nas cores rosa e verde, tons que atravessam a identidade visual do casal e orientam toda a direção de arte e figurino. Guiada pelas fotografias originais da série criada por Ferrão, restritas à paleta preto e branco, a equipe trabalhou para mimetizar ângulos e enquadramentos clássicos, agora revestidos e repaginados pela realidade, bem como pela simbologia que permeia a vida dessas pessoas. 

Sob a direção de Lucas Mooluscos, o real e o onírico se entrelaçam em camadas, compondo uma narrativa que é beijo, reza e dança. Como Oxum, entregue ao amor, o clipe propõe reluzir imaginários, pintando de arco-íris os afetos possíveis, além de propor o sonho de um mundo em que caibam todas as histórias. Assim é que “Cores de Oxum” se revela um potente ato de resistência contra o apagamento, expondo a urgência de criar memórias para um futuro outro onde caibam amores LGBTQIAPN+ e não hegemônicos, que contemplem distintas perspectivas.

O lançamento marca também o início da nova turnê da cantora, intitulada “Ouro”. O espetáculo tem passagens confirmadas pelas regiões Sul e Nordeste do Brasil, projetando em diferentes palcos o repertório de TRANSES, além das novas experiências de performance, corpo e ritmo de ÀIYÉ. 

“Chamei a turnê de ‘ouro’ por conta da orixá Oxum, claro. Me dei conta de que saio do Rio de Janeiro e vou do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. Três Rios pra desaguar essa história”, conta a artista, que anunciará novas datas em breve.

O vídeo de “Cores de Oxum” está disponível no canal oficial da artista no YouTube.

Turnê Ouro 2025:

SUL

31 OUT — Florianópolis/SC • Festival Eleva

01 NOV — Criciúma/SC • Festa Salem

06 NOV — Porto Alegre/RS • 512

07 NOV — Novo Hamburgo/RS • Outro Mundo Acontece

08 NOV — Porto Alegre/RS • WORKSHOW — Casa Baka

09 NOV — Caxias do Sul/RS • Ponto Cultural

NORDESTE

20 NOV — Feira de Santana/BA • Feira Noise

23 NOV — Salvador/BA • NHL Fest

27 NOV — Natal/RN • Festival Dosol

(Mais datas serão reveladas em breve)

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