Os seguidores do Azeroth, uma das principais referências do power metal argentino, conhecem bem a forte ligação que o conjunto sempre manteve com o Brasil, particularmente com a produção musical nacional. Após diversos concertos como banda de abertura do Angra em território brasileiro, o grupo ainda registrou uma versão cover de “Prelude to Oblivion“, do Viper, uma das formações pioneiras do heavy metal no país.
De acordo com o baixista e cofundador do Azeroth, Fernando Ricciardulli, sua aproximação com o metal brasileiro iniciou-se em 1988, através do próprio Viper. “Eu tinha 13 anos, já ouvia Iron Maiden e procurava algo na mesma linha. Lembro perfeitamente de entrar em uma loja de discos perto da minha casa, ver a capa do Soldiers of Sunrise, o primeiro disco do Viper, que me chamou muita atenção, e depois descobrir a música, que me marcou para sempre“, relembra o músico.
Admiração Crescente
Essa apreciação pela música brasileira intensificou-se progressivamente: “nos anos 1990, me tornei muito fã do Ratos de Porão, especialmente do álbum Brasil, que ainda hoje considero espetacular. Também vivi intensamente a era de ouro do Sepultura e, claro, tive contato com o Angra, que também deixou sua marca. Tenho a sorte de já ter tocado em diferentes shows no Brasil como banda de abertura do Angra, uma experiência que valorizo profundamente“, celebra o baixista.
Contudo, a formação brasileira que mais ressoa em suas preferências permanece sendo o Viper. “Gravamos ‘Prelude to Oblivion’ porque é uma das minhas favoritas da banda. Acredito que Theatre of Fate marcou algo muito importante no metal sulamericano, mostrando que, com produções em nível europeu, era possível competir com qualquer banda“, analisa.
O vocalista Ignacio Rodriguez complementa: “quando criança, ouvia com meus pais artistas de folclore brasileiro. Depois ouvi Sepultura e tudo mudou pra mim, depois o Angra me fez ficar apaixonado pelo Brasil. Estudei história e dicção em português e fiquei apaixonado pelo povo, pela cultura diversa, pela natureza (vou todos os anos para Porto de Galinhas)“, revela.
Rodriguez caracteriza a experiência de apresentar-se no Brasil como mágica: “não há palavras para expressar a gratidão que tenho por cada um de vocês“. Fernando Ricciardulli reforça o sentimento ao confirmar que sempre preservará a memória do tratamento recebido das audiências brasileiras: “foi incrível o bom tratamento recebido pelo público brasileiro e a forma como aceitaram nossa música. Foi uma experiência que valorizo profundamente“.
Novo Lançamento

O trabalho mais recente do Azeroth é o álbum “Trails of Destiny“, primeira produção da banda integralmente em inglês. Constitui uma versão adaptada de “Senderos del Destino”, de 2022, um de seus lançamentos mais elogiados. Disponível nas plataformas de streaming desde julho de 2025, o material está próximo de ser disponibilizado em formato físico no mercado brasileiro através da Voice Music.
Com interpretações vocais potentes, riffs melódicos e uma sonoridade que harmoniza técnica e sentimento, o Azeroth promete uma turnê memorável em 2026 — não apenas como celebração de sua discografia, mas como reencontro com os fãs brasileiros que acompanham sua trajetória há décadas e apenas recentemente puderam presenciar a banda ao vivo pela primeira vez.
Tracklist – “Trails of Destiny”
- Hands of Fate
- Trails of Destiny (com participação de Fabio Lione)
- The Last Journey
- Left Behind
- Aenigmas
- Urd
- Ancient Trail
- Exiled
Faixas bônus:
- The Promise (Re visited)
- Prelude to Oblivion (cover de Viper)
- Trails of Destiny (original version)
Histórico da Banda
Estabelecida pelo baixista Fernando Ricciardulli em 1995, a banda argentina de power metal Azeroth disponibilizou seu álbum de estreia homônimo em 2000. O trabalho apresentou vocais convidados de lendas do metal argentino, como Christian Bertoncelli e Adrián Barilari (Rata Blanca), sendo mixado e masterizado pelo produtor alemão Charlie Bauerfeind, reconhecido por suas colaborações com bandas emblemáticas do power metal, incluindo Helloween, Blind Guardian e Angra.
A turnê promocional do álbum encompassou quase 50 apresentações na Argentina e Uruguai, incluindo performances ao lado de nomes como Helloween, Nightwish, Labyrinth e Vision Divine. Em 2001, participou do álbum “La Leyenda Continua”, tributo ao Rata Blanca, com uma interpretação de “Rompe el Hechizo”.
O segundo álbum da formação, “II”, foi lançado somente em 2008 e trouxe participação especial do vocalista Hansi Kürch (Blind Guardian). Em 2010, chegou “Historias y Leyendas”, que marcou o retorno de Bertoncelli aos vocais e gerou o primeiro videoclipe da banda, da música “La Promesa”.
Após extenso hiato, a banda retomou atividades em 2017, quando Ricciardulli apresentou nova formação incluindo Ignacio Rodriguez (vocais e guitarras), Pablo Gamarra (guitarras), Daniel Esquivel (bateria) e Leonardo Miceli (teclados). O quinteto gravou o álbum “Más Allá del Caos” e iniciou nova turnê pela Argentina, que incluiu participações nos festivais de metal mais significativos do país e aberturas para Amon Amarth e Powerwolf.
Em 2022, o Azeroth lançou o aclamado “Senderos del Destino” e iniciou turnê de mais de dois anos, dividindo palcos com gigantes como Blind Guardian, Stratovarius, Dragonforce, Angra e Tarja Turunen. Durante esse período, o guitarrista David Zambrana integrou-se à banda, permitindo que Ignacio Rodriguez se dedicasse exclusivamente aos vocais.
Em 2024, veio o primeiro álbum ao vivo da banda — “Historias de Ayer, Senderos de Hoy”, gravado no Teatro Flores, em Buenos Aires — e, em 2025, o primeiro lançamento em inglês. “Trails of Destiny” é uma versão traduzida de “Senderos del Destino” e conta com a participação de Fabio Lione, uma das maiores vozes do power metal mundial, conhecido por seu trabalho com grupos como Rhapsody, Angra e Kamelot.

