Armando Lôbo relança “Alegria dos Homens”, seu primeiro e arrebatador disco de canções autorais

Armando Lôbo relança “Alegria dos Homens”, seu primeiro e arrebatador disco de canções autorais

 

“Uma ambiciosa surpresa musical para abrir 2003”

“Armando Lôbo joga novo sangue na MPB a partir da tradição”

“Pernambuco continua produzindo boa e inovadora música”

- Publicidade -

“Um disco perfeito para abrir 2003”

“Cotação: ***** ”

Antonio Carlos Miguel – O Globo

 

“Alegria dos Homens tem, em sua dúzia de faixas espalhadas por econômicos 40 minutos, mais ideias e provocações que boa parte das carreiras inteiras de muitos “novos gênios” festejados pela mídia”

Kiko Ferreira – Estado de Minas

 

“De uma safra de autores e intérpretes (que) começa a revolver as entranhas da MPB”

“Jóia instrumental” (sobre “Bachiando no frevo”)

Tárik de Souza – Jornal do Brasil

 

“O pernambucano Armando Lôbo surpreendeu a crítica”

“Compositor-revelação”

Hugo Sukman – O Globo

 

Da virada do século aos nossos dias, não foram poucas as mudanças sociais, estéticas, culturais, políticas que o país enfrentou. Na música brasileira, evidentemente, ocorreu o mesmo, com novos artistas, tendências, fusões estilísticas, etc. Lançado no final de 2002, o álbum Alegria dos Homens, do artista pernambucano Armando Lôbo, arrebatou na época grandes elogios da crítica especializada em todo o país. Repleto de inovações, estranhezas e referências ao Barroco, o trabalho implodia categorias, apontando novos caminhos para a canção brasileira. Seu autor buscava provocar a mesmice bem-comportada da MPB da época, com intensa polifonia e carga dramática, arranjos complexos e enorme variedade de ritmos e temas que, poeticamente, investigavam a alegria trágica do povo brasileiro. Co-produzido por Armando Lôbo e o músico paulistano Maurício Pereira, Alegria dos Homens era até então o único CD do músico pernambucano que ainda não estava distribuído nas plataformas digitais. O álbum é agora lançado digitalmente após reedição, remixagem e masterização, seguindo padrões de streaming.  Além disso, ganhou uma capa nova, que reforça a acidez tropical do trabalho.

Marcado pelo sentido do grotesco carnavalesco, Alegria dos Homens esbanja festa, escatologia, futebol, religiosidade, lirismo, ironia, violência e ternura em 11 faixas bastante diferentes entre si – um agônico e vertiginoso desfile de arquétipos da cultura brasileira. Abrindo o disco, Agnus Dei tem sua forma inspirada na passacaglia barroca e sincretiza, ao mesmo tempo, um trecho da Missa em latim com sonoridades de candomblé, harmonia dissonante e ecos jazzísticos. Com ritmos inspirados na música nordestina, com melodia e harmonia dramáticas, Mandinga canta o amor e o feitiço na cultura brasileira, de arranjo em tratamento polifônico e letra do escritor e ator gaúcho Edison Nequete (1926-2010), filho de Abílio de Nequete, um dos fundadores do PCB. Em seguida, o samba-caboclinho, de clima buarquenoUm minuto e meio descreve as emoções do torcedor durante uma partida de futebol através de um duelo contrapontístico dos sopros, alegorizando a troca de passes entre os jogadores. Estabelecendo um diálogo crítico com o lado mais social da música de Chico Buarque, Lei da vitimização traz no arranjo a presença de ritmos pernambucanos, frevo e caboclinho. O xote-baião de Sanfoneiro mudo faz um paralelo entre o molejo nordestino e a picardia do compositor francês Erik Satie, numa espécie de ironia ao ludismo multicultural. A letra, surreal, relata o problema “estético-fonoaudiológico” de um sanfoneiro que perdeu a língua e também a sua amada.

            O álbum segue com suas idiossincrasias corrosivas com Crônica de um envergonhado, um desabafo feminino diante da masculinidade romântica. A melodia do refrão tem irônico apelo sentimental e a harmonia usa ocasionais choques de segunda menor para musicalmente representar o atrito de gênero – a mulher falante é uma Lilith desconcertante e iconoclasta. Em Ciência, alegria dos homens, o músico pernambucano confronta o cientificismo tecnológico contemporâneo com a ciência estética barroca, satirizando também a banalidade da música pop por meio de um pastiche contrapontístico em forma de cânone. Escrita para quarteto de saxofones, o frevo neobarroco Bachiando no frevo é o primeiro (e, talvez, o único) frevo escrito em forma de fuga estrita que se tem notícia.  O tema, desenvolvido à moda bachiana, é inspirado no compositor pernambucano Levino Ferreira. Já o frevo-de-bloco Futebol iraniano traz uma letra surreal, inventando um laço que une a fé muçulmana à paixão “pagã” futebolística. O ritmo, apesar das células do frevo, é desenvolvido em um insólito 7/4, e é cantada por um pequeno coro feminino, à moda das pastoras pernambucanas. Na introdução e no final, podemos ouvir sons de um instrumento oriental de sopro.

Bossa nerd, um samba-bossa bem-humorado, comenta a globalização com uma letra propositalmente débil, de harmonia relativamente característica do estilo, porém com melodia sugerindo um tipo de angulosidade que é marca do autor. Em seguida, O menino João Maria se apresenta como uma “canção-resposta” à personagem infantil do livro de Gilberto Freyre “Dona Sinhá e o filho padre”.  O compositor procurou o arquétipo corrosivo de uma criança que fosse a alegoria do Brasil, ao contrário da criança singular da semi-novela do grande escritor recifense. Sua remixagem deixou a canção um tanto diferente da versão original, de 2002 – as características de harmonia intervalar e contrapontos instrumentais continuaram preservadas, mas atenuadas. Por fim, Soco indolor se revela uma canção de câmara que descreve a busca do homem para encontrar o amor transcendental, depois de ter sido seduzido por demônios. Sua inspiração poética entrecruza a lenda medieval do Tannhäuser com gravuras do escritor inglês William Blake. A harmonia tem certo caráter impressionista e jobiniano, que se choca propositalmente com o espírito expressionista da proposta.

 

ARMANDO LÔBO

Compositor, cantor e poeta pernambucano, Armando Lôbo desenvolve gêneros e estilos musicais diversos, com o uso de matizes experimentais e simbiose intensa com a literatura, história, filosofia e religião. Lançou quatro discos que receberam cotação máxima da imprensa especializada. Contemplado em importantes concursos nacionais e internacionais, Armando Lôbo é o único artista brasileiro a vencer os principais prêmios brasileiros tanto na música popular como na música de concerto. Prova de seu ecletismo e abertura a linguagens diversas. Suas peças e canções têm sido executadas por importantes grupos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Também tem composto inúmeras trilhas sonoras para televisão, vídeo institucional e cinema.

 

 

Ouvir ONLINE clique aqui. 

Ouça no Spotify

 

TEASER:

 

Fonte: Fábio Cezanne

Compartilhar

Os benefícios metabólicos da cirurgia bariátrica se mantêm depois de 10, 15 anos? Os benefícios metabólicos da cirurgia bariátrica se mantêm depois de 10, 15 anos?

Uma revisão sistemática com meta-análise, publicada em agosto de 2026 na revista científica Obesity Reviews, ajuda a responder essa pergunta com um volume de dados…

Aviso de Consentimento

O conteúdo que está acessando pode não ser adequado para sua idade. Continuar a partir daqui é de sua responsabilidade.